depois de um longo inverno volto aqui para falar sobre esse ano mágico do Vasco. Claro que todos estão enfadados da maioria dos textos sobre o assunto. De fato, há muito o que falar e os pontos de vista são os mais distintos, acho justo deixar registrar o meu. Muito mais voltado a passionalidade do que propriamente a técnica.
Quem, com sua bela camisa cruzmaltina, quando viu sem acreditar aquela sequencia tenebrosa no Cariocão não pensou: ''E lá vamos nós para mais um ano daqueles.''? Não é errado admitir isso, todos pensamos, até aqueles (como eu) que acreditam muito no trabalho dessa diretoria.
De todos os diferencias, desde a mudança de comando até as contratações, o principal reforço do Vasco para fazer a reviravolta que fez foi sem dúvida a chegada de Ricardo Gomes. Sua fala mansa e jeito de gentleman trouxeram de volta - pouco a pouco - a confiança dos jogadores e por consequência a nossa.
Reviravolta. Mudança. Retorno. Glória. Depois de 8 anos, a confiança estacionou de vez na rua Rua S Januário, 518. A epopeia do Couto Pereira trouxe ao Vascaínismo uma sensação que há muito não sentiamos, sensação de orgulho redescoberto. Ruas tomadas, orgulho na sua forma pura e clara, do novo ao velho. Abraços apertados à desconhecidos que em comum, só o orgulho pela instituição novamente vitoriosa.
E para quem achou que no campeonato nacional passeariamos apenas aguardando a Libertadores do ano seguinte houve a segunda surpresa de quem dizia: 'Só venceram porquê não enfrentaram nenhum time grande!' Bullshit. São Paulo, Galo, Cruzeiro, Palmeiras, Santos, Botafogo, Fluminense todos caíram e sem dó. Times grandes batidos para dar e vender e lá se vai o fim do primeiro turno.
Pausa. Aflição. Preocupação. Resiliência. Encarar a morte de perto é aterrorizante, e no dia 26 de agosto o treinador do Vasco (e todos) percebemos isso. Close no banco e as faces são de terror. A pergunta geral era: 'O que houve?' e quando começaram a chegar as respostas, ainda seguidas de pequenos adendos de: ''e é muito grave'' não houve um Vascaíno que não tivesse dormido muito mais chateado com o estado do treinador do que com o resultado do jogo.
Dias de preocupação (exatos 21) mas o campeonato não podia parar. Motivo que para alguns era de baixar a guarda, para nós virou motivo de ir a luta em nome de alguém. Surpresa 3 para quem disse que: ''Agora sem o treinador eles caem.''. Entra Cristovão, da mesma escola de Ricardo e com a mesma filosofia implantada, o prumo continua e a nau continuou passando por cima das línguas que tanto teimaram em duvidar durante o ano.
Nau essa que se aventurou até em mares sulamericanos, provando que um clube pode sim jogar em alto nível duas competições concomitantes. Basta querer, basta querer vencer.
Chego então a parte que queria. Gostaria muito de escrever que depois desse enredo todo demos a volta olímpica. Não foi assim. Mas puxo a reflexão sobre algo que se tornou (para mim) a marca do Vasco no ano: O que você sente quando lembra do gol do Alecsandro no primeiro jogo da final da CB? No gol do Éder no segundo jogo? O que você sente quando lembra da partida do Dedé contra o Universitário? E o que falar do gol do Bernardo contra o Flu? Te arrepia lembrar? Isso é o que fica, posteridade tatuada a ferro quente e direto na sua zona de recordação.
O orgulho de todos esses momentos são singulares. Só quem viveu sabe. É algo que você não pode passar para alguém, pode no máximo compartilhar.
Então deixo um recado para aqueles que acharam pouco o ano do Vasco ou aqueles que acham que 4º é melhor que 2º, em alguns momentos do esporte o que você leva é muito maior do que você ganha. Não me resta a menor dúvida que o Vasco ofereceu à todos uma aula de como ser um colosso esportivo, venceu, participou e principalmente disputou tudo. É assim. A obrigação do gigante do esporte é essa, vencer é consequencia de um resultado.
Vergonha. Protecionismo. Insucesso. Pena. Não adianta pagar 20 milhões em um '''''''craque''''''' que não decide, não adianta ter a mídia ao lado se o time não ajuda, e não adianta dizer que é time de chegada ganhando só carioca e estando só na pré libertadores. Mas tudo bem, dou o direito para alguns achar o 4º melhor que o 2º e pular do 5 para o 6, assim, como mágica. É a matemática do fantástico mundo de Bob.
No mais, 2011 nos trouxe de volta todo um turbilhão de emoções que estavam guardados. Por mim, esse ano não acabaria, poderia passar o resto da minha vida vendo e revendo lance por lance desse ano mágico. Do ruim ao bom. O que melhor caracteriza essa instituição.
Abraços à todos.
Fred Abucater.
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